Para especialista, relação do zika com a microcefalia não está definida

 

 

 

O número de casos suspeitos de recém-nascidos com microcefalia vem aumentando e atingiu esta semana 3.174 registros, em 684 cidades, distribuídas em 20 estados e no DF – elevação de 6,7% em uma semana, segundo balanço atualizado do Ministério da Saúde com dados até 2 de janeiro. O governo considera que os casos estão relacionados ao vírus zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Para opatologista neuromuscular e professor adjunto de Patologia Cirúrgica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Beny Schmidt, “o momento é de estudo”. “Ninguém pode responder ainda. O momento é de estudar”, afirmou ou especialista, em entrevista exclusiva para o Diário Regional.

 

O vírus é realmente causador da microcefalia?


Não se conhece o caso ao certo ainda. É preciso estudar o que realmente está acontecendo, ter um conhecimento real da situação. O momento é de estudo, de tentar entender o que está acontecendo.

 

Divulgou-se que vacinas contra rubéola vencidas seriam as causadoras da má-formação. Isso seria realmente possível?


Não sabemos. Temos de averiguar o que aconteceu com as vacinas. Foi um problema de resfriamento? Foi uma hidratação? Ninguém pode responder ainda. O momento é de estudar.

 

Por que o surto da microcefalia se deu principalmente no Nordeste?


Também não podemos afirmar ainda. Qual era a circunferência cerebral dos pernambucanos? É preciso fazer uma autopsia dos natimortos e dos abortos com mais de três meses de gestação. Ou seja, é preciso estudar o que está acontecendo.

 

O diretor do departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde (Cláudio Maierovitch) afirmou que o melhor neste momento é evitar a gravidez. Qual sua opinião sobre o conselho?


Este conselho não faz parte da boa pratica da ciência. Se eu parto do pressuposto que eu não sei o que está acontecendo e se eu conheço que as principais causas de microcefalia são o casamento consanguíneo e alterações genéticas, o mais correto seria eu mandar as mulheres trocarem de marido, porque o momento em que ela vai ter o filho tanto faz.


Não está definida qual é a relação do zika vírus com a microcefalia. Não é causa e efeito. Precisamos estudar com muito cuidado essa situação, que é estranha na literatura, assim como a relação com a rubéola, com a toxoplasmose e com o citomegalovírus.

 

Caso a microcefalia seja detectada durante a gestação, há algum método para reduzir as sequelas?


Não. O que é obrigatório ser feito é que logo depois do nascimento desses bebês comece a reabilitação com equipe multidisciplinar formada por neuromuscular, neurologista, neuropediatra, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta e fonoaudiólogo, para minimizar o máximo que for possível a deficiência neuropsicomotora.

 

Quais as causas mais frequentes da microcefalia?


Até o momento, academicamente, a ideia que temos na literatura é que as principais causas da microcefalia são alterações gênicas e casamentos consanguíneos.

 

Quais as características da microcefalia?


A microcefalia é definida por uma parada do desenvolvimento embrionário do encéfalo por volta do terceiro mês de gestação, de maneira que a maior parte desses bebês vai a óbito antes do nascimento. Porém se esses bebês vierem a termo, têm a circunferência da cabeça abaixo de 33 cm e o cérebro mais liso, com menos sulcos e circunvoluções, e o peso diminuído. Essas são as características macroscópicas, que variam.
Pode haver também comprometimento do cerebelo, ou ele pode estar normal. Fenotipicamente, a aparência externa, ou seja, a olho nu, observa-se um nenê com a testa pequena e desviada para trás, geralmente alinhada com a linha da boca. Muitas vezes, ao nível do cerebelo, a calota craniana está aberta. Muitas outras más formações, de diversas agenesias, acontecem.

 

Uma criança com microcefalia consegue se tornar um adulto independente?


Não, dificilmente. Por isso que se tudo isso for verdade a situação é grave e repetimos: o governo precisa escolher pessoas competentes para estudar o que está acontecendo porque não é o momento de fazer política.

 

Quais os tipos mais frequentes de má-formação?


As más formações constituem um capítulo imenso da medicina. A natureza fez com que a vida conspire pra vida. Então, há bebês que conseguem vir a termo, mesmo com más formações. A natureza prefere gerar vida num bebê mal formado, que, às vezes, vai viver poucos meses, do que não gerar vida alguma. Porém, os abortos, inclusive aqueles imperceptíveis, são extremamente frequentes na reprodução humana. As mulheres não sabem, mas grande parte delas, durante a sua vida fértil, passa por abortos espontâneos que se confundem com o seu ciclo menstrual.

 

Como prevenir as más-formações?

 

Por meio de um aconselhamento genético que deveria ser bem feito e, infelizmente, é absolutamente e, eu diria, criminalmente, levado a segundo plano no nosso país. Por exemplo, o governo deveria aproveitar essa “crise” e trazer informação à população para evitar o casamento consanguíneo tão frequente no nosso país. A maior carência do Brasil é a educação e a informação.

 

 

Link da Matéria: http://www.diarioregional.com.br/2016/01/10/para-especialista-relacao-do-zika-com-a-microcefalia-nao-esta-definida/

 

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