Entenda a Síndrome de Guillain-Barré

 

Doença rara, de caráter autoimune, causa a paralisia de músculos e pode ser provocada por algumas bactérias e vírus, incluindo o zika

 

 

Foi a partir do aumento de números de casos de zika vírus no País, que a Síndrome de Guillain-Barré (SGB) passou a ganhar notoriedade. Antes disso, poucos brasileiros conheciam essa doença, que causa fraqueza muscular progressiva e pode provocar paralisia. 
Apesar de estudos ainda estarem em andamento, o Ministério da Saúde (MS) já confirmou a correlação entre o zika vírus e a SGB, também descrita como polineuropatia desmielinizante inflamatória aguda. 
A explicação é porque Guillain-Barré é uma reação a agentes infecciosos, como vírus e bactérias. O próprio organismo, através do sistema imunológico, ataca parte do sistema nervoso, levando à inflamação dos nervos. E apesar de ser considerada rara, o País vem percebendo um aumento no registro de casos da doença e isso tem gerado muitas dúvidas. 
Em entrevista oficial ao Portal Saúde, o diretor do departamento de vigilância de doenças transmissíveis do MS, Claúdio Maierovitch, esclarece que em casos raros, após uma, duas ou três semanas, o indivíduo que teve a infecção pelo zika ou por vários outros tipos de vírus e bactérias pode desenvolver a síndrome. 


Segundo Osvaldo Nascimento, professor titular de neurologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), responsável pelo setor de pesquisa em neuropatias periféricas, a Guillain-Barré acontece devido à desmielinização dos nervos. Em outras palavras, isto significa que um processo inflamatório passa a comprometer um revestimento do nervo, chamado bainha de mielina. "É por ela que passam os estímulos que fazem com que tenhamos movimentos dos membros e a percepção da sensibilidade", diz. 
Na maioria dos casos (80%), os sintomas começam entre cinco dias e três semanas após um quadro de infecção. O indivíduo pode apresentar alterações sensitivas, dores, dormências ou mesmo paralisia, que se inicia nas pernas, podendo irradiar para as mãos, tronco e face. 


Em quadros mais graves, o paciente deve ser imediatamente encaminhado ao Centro de Tratamento e Terapia Intensiva (CTI) para uso de respirador, pois pode deixar de respirar ou apresentar arritmias cardíacas. Quadros que podem levá-lo a óbito. 


"Os fatores que estão associados à síndrome são as infecções. Bastante frequente é a infecção gastrointestinal, causada por uma bactéria do estômago (Campylobacter). Mas outras infecções podem ter um comportamento semelhante, como no grupo das doenças emergentes, como dengue, chikungunya e especialmente, zika", completa Nascimento, membro titular da Academia Brasileira de Neurologia (ABN). 


A causa também pode estar relacionada a outros vírus como, por exemplo, citomegalovírus, da gripe e da hepatite. Ainda de acordo com o especialista, a síndrome não tem nenhuma participação genética ou hereditária e pode acometer qualquer pessoa, de 0 a 100 anos. 

 

Diagnóstico


O diagnóstico da síndrome de Guillain-Barré é basicamente clínico, pelo conjunto de sintomas, como as características de paralisia. Para conclusão, podem ser realizados exames como eletromiografia, que avalia a função do sistema nervoso periférico e muscular, assim como a análise do líquido cefalorraquidiano (punção lombar), que aponta se há aumento das proteínas pela anormalidade das células. "Se a concentração estiver muito alta é um sinal de reações inflamatórias nas raízes dos nervos próximos da medula", explica.

 

Micaela Orikasa
Reportagem Local

 

 

Link da Matéria: http://www.folhaweb.com.br/?id_folha=2-1--1192-20160118

 

 

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