Sarcopenia: exercício é a prevenção

 

 

A sarcopenia, doença que afeta os idosos provocando a perda de massa muscular, vem sendo motivo de preocupação e amplo debate pela quantidade de pessoas que serão afetadas em nosso país. O número pode chegar a 33 milhões em 2025. 

 

Para que esse caos não aconteça, existem algumas alternativas e, segundo Beny Schmidt, especialista em patologia muscular, a resposta é simples. “Nenhum país do mundo está preparado para tamanha demanda. Serão muitos idosos afetados”, afirma, acrescentando que “ao invés de tratar essas pessoas já debilitadas, seria mais fácil e mais barato incentivar a prática de esportes, uma solução simples, barata e eficaz”.    
    
A síndrome apresenta como principal sintoma a perda da massa muscular, o que acaba sendo comum em pessoas com mais idade, especialmente após os 60 anos. Além disso, a progressiva falta de força nos músculos pode acabar ocasionando também quedas e deixando o idoso dependente de outra pessoa. 

“A pessoa de mais idade perde o poder de sintetizar certas proteínas e um número de neurônios, consequentemente, perde ainda sua independência. A palavra chave é perder. Ela não é sinônimo de atrofia muscular apenas. Por isso, sugeri que a doença passasse a ser chamada de perda neuronal de senescência, que condiz mais com a real causa da patologia”, diz Beny Schmidt.

 

A boa notícia para a turma da terceira idade é que a prevenção é bem fácil de ser feita. “Basta a pessoa levantar-se da cadeira e ir se mexer. Esporte é a chave para uma vida longa e saudável. E quanto mais cedo a pessoa começar a praticar uma atividade física, melhor”, afirma Schmidt.

 

É o caso de Andrea Luiza, de 78 anos. Ela levava uma vida sedentária e pouco se exercitava. Ao ter a sarcopenia diagnosticada, passou a fazer atividades físicas regulares. E a melhora foi evidente. “Antes, não conseguia me levantar. Sentia as pernas pesadas, não tinha força. Agora, isso melhorou muito. Me sinto mais forte e mais independente”, conta.

 

Para a geriatra Yolanda Boechat, o importante não é só realizar atividades aeróbicas (como caminhadas) mas também anaeróbicas, sempre com a utilização de resistência (pesos).

“O que os idosos precisam é de atividades regulares. Porém, não é somente caminhar por 15 minutos e achar que está tudo resolvido. Eles perdem muita massa muscular, por isso, precisam de exercícios com pesos. Só assim a musculatura e a densidade óssea ficarão em um nível que não afetarão a qualidade de vida do idoso”, enfatiza.

Outro fator que pode ajudar na prevenção é o uso correto de suplementos alimentares. “Depois de uma certa idade, o corpo para de sintetizar certas proteínas. Portanto, é importante que além de se alimentar de maneira correta, o idoso também seja orientado pelo médico a ingerir a quantidade e o tipo certo de suplementos”, afirma Yolanda.

 

Por ser uma condição comum em praticamente todos os idosos, o diagnóstico acaba ficando um pouco mais complicado.

 

“Para diagnosticar corretamente a sarcopenia, o médico precisa olhar e examinar atentamente o paciente. Coisa que hoje em dia pouco se faz. Só se pede exames laboratoriais. Claro que eles são importantes, mas deveriam ser complementares. Por isso, repito, é necessário examinar bastante o idoso”, diz Scmhidt.

 

Diante deste cenário, é preciso que a terceira idade esteja cada vez mais consciente que de é fundamental para uma melhor qualidade de vida, uma alimentação saudável e a prática de exercícios regulares.

 

“Cabe a nós decidirmos como vamos viver e morrer. Bem-estar é praticar esportes, sempre. Saúde não se compra em farmácias”, alerta Schmidt. E Andrea Luiza concorda com o especialista: “A minha qualidade de vida melhorou muito depois da prática de atividades físicas. Sou outra pessoa agora”, conclui. 

 

Texto: Gustavo Roman

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