Morfologia do Músculo Esquelético 4

 

 

Na semana passada descrevemos o conceito de unidade motora: neurônio → nervo → nº de fibras musculares inervadas. Essas unidades dispõem-se na grande maioria dos 506 músculos esqueléticos anatomicamente descritos de maneira a formar um “mosaico”, que só pode ser observado na histologia com histoquímica proveniente de uma biópsia muscular.       

        

A biópsia em patologia geral é um termo que se utiliza na prática médica toda vez que retiramos um pequeno fragmento de tecido do organismo vivo. A biópsia muscular é um ato cirúrgico cruento, porém minimamente invasivo (a incisão cirúrgica tem menos de 1cm de comprimento!), e foi colocada à disposição dos neurologistas brasileiros como rotina em 1982, ano da fundação do Laboratório de Patologia Muscular da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP – Escola Paulista de Medicina).

        

O mosaico da musculatura do corpo humano é resultado da constituição. Pelo desejo da natureza as unidades motoras dispõem-se intercaladamente nos músculos esqueléticos, isto é, as unidades motoras I estão ao lado das unidades motoras II. Sendo assim, as fibras musculares dos tipos I e II alternam-se para configurar um “mosaico”.

        

Agora vejamos, supondo que um neurônio motor do tipo I ou nervo periférico do tipo I sofra uma lesão (neuronopatia ou neuropatia) as fibras musculares dessa unidade motora sofrem uma atrofia: perda de tamanho à custa da perda do número de seus filamentos contrácteis e de suas organelas e/ou dos seus volumes.

        

Em resumo: A lesão neuronal ou neuropática acarreta uma atrofia muscular. Mas em biologia existe uma lei de sobrevivência que postula: “A vida conspira para a vida”. Então a unidade motora mais próxima, que na grande maioria dos casos é de outro tipo histoquímico, por constituição tentará por brotamentos de nervos reinervar essas fibras musculares desnervadas! Assim sendo, se a reinervação tiver sucesso elas mudarão seu tipo histoquímico para fibras do tipo II. Pois é o neurônio do corno anterior da medula o responsável pelo tipo da fibra.

 

        

Vamos continuar na semana que vem, ainda em Paris, se Deus quiser.

        

Abraço.

Dr. Beny Schmidt.

Please reload

MANDE SUA MENSAGEM

Desenvolvido por Mais Comunicativa.